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"Educar é como fazer um bolo"

Como eu me identifico com este texto na parte da rebaldaria, do caos, dos filhos barulhentos, no deixá-los brincar sem stress e sem grandes restrições, no dar espaço para que aprendam com as suas asneiras mas acertando-lhes o passo sempre que passam do limites. Tenho um lema que é: não se deve ralhar por tudo e por nada, pois corremos o risco de, ao fim de pouco tempo, passarmos a ser ignorados, deve-se insistir no que consideramos realmente importante e que eles não podem nem devem fazer, o resto às vezes o melhor é sair de mansinho e fingir que não se viu nem ouviu nada, para que os moços possam dar largas à sua imaginação!

“Educar é como fazer um bolo
O mais difícil nisto de educar filhos é, quanto a mim, saber equilibrar o afecto, a liberdade, a responsabilidade e as regras. Como num bolo, não pode haver doses exageradas de um ingrediente e escassas de outro. O resultado pode ser uma bela merda, demasiado cru, excessivamente seco, desfeito, queimado, incomestível. 
Antes de sermos pais, fomos filhos (se não fosse eu a dar-vos novidades…) e é também o nosso ajuste de contas como filhos que está em cima da mesa, quando nos tornamos pais. No meu caso, vivi sempre com a minha mãe (passava o fim-de-semana com o meu pai de 15 em 15 dias) e, na minha casa, reinava o silêncio, a ordem e a disciplina. A minha mãe era exigente e dura, trabalhava muito (o silêncio da casa só era entrecortado pelas teclas da máquina de escrever) e eu falava muito sozinha e sonhava com um irmão (durante muito tempo, antes de o meu pai me ter realizado esse sonho, obrigava a minha mãe a dar um beijinho de boa noite ao meu irmão imaginário).
Hoje, a minha casa é o oposto disto. Uma rebaldaria, portanto. Tenho três filhos barulhentos, o silêncio é um conceito de que raramente tenho memória (e que tanta falta me faz, por vezes), e eu sei que sou pouco rigorosa e mais adepta da “liberdade com responsabilidade” justamente para contrariar aquilo que era a disciplina quase militar da minha querida mãe, que só queria fazer de mim uma mulher a sério e sabia que só podia contar consigo e com o seu rigor. É por reconhecer que conseguiu – ok, não cheguei a primeiro-ministro mas a vida não me corre propriamente mal – que por vezes temo ser demasiado liberal com os meus filhos e, pela lógica, fazer deles uns belos trastes. 
Ainda assim, confesso, gosto que a minha casa esteja permanentemente invadida por amigos deles, que pedem licença para entrar, que brincam, lancham, ficam espojados no terraço, jogam uns com os outros no chão da sala, ouvem música. Gosto desta animação que é a nossa vida. Gosto da cumplicidade. De os ver molharem-se na relva, com a mangueira, e de não me zangar. Gosto de me lembrar muito bem de mim, em adolescente, para ser mais tolerante com as crises do mais velho. Gosto de deixar que façam pequenas asneiras, sem fazer daí grandes dramas. Porque prefiro deixar os grandes dramas para aquilo que é realmente grave e não para as pequenas (tantas) minudências que vão acontecendo. 
Do que gosto menos é de ter de fazer de bad cop. Geralmente deixo essa tarefa para o Ricardo, que a vai executando até um dia dizer, com razão, que não pode ser sempre ele o mau da fita. E então entro em acção e zango-me, mando, obrigo. Detesto (apesar de saber fazê-lo muito bem, atenção!) Mas é importante, para que esta gente perceba que a vida não é só ramboia e diversão, é preciso disciplina e trabalho e organização (sou tão caótica…). 
Tenho alguma curiosidade em ver no que é que isto vai dar, no futuro. Que filhos terei eu educado e que pais serão eles (se quiserem vir a ter filhos), para perceber se me imitam ou se me contrariam. Sobretudo, quero perceber se fiz deles homens e mulheres como devem ser ou se falhei em toda a linha. Se o bolo ficou lindo, alto e dourado ou se nem à machadada se arranca da forma. Logo vos digo, um dia destes.

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