Da excelência ao quadro

Muitas escolas têm aquilo que chamam Quadro de Excelência onde destacam, num lugar bem visível, o nome dos melhores alunos da escola por ano de escolaridade. Há escola que o fazem todos os períodos outras apenas no final do ano letivo. Basta fazer uma pesquisa rápida na Internet para percebermos que os requisitos para entrar no Quadro de Excelência variam, e muito, de escola para escola. Há escola que no 2º e 3º ciclo é necessário ter média de 4.5 sem ter nenhum nível 2, outras em que quantificam o nº de níveis 5 necessários, por exemplo ter 6 níveis cinco e nenhum nível três. Situação semelhante se verifica no ensino de secundário, há escola que exigem média de 18, sem nenhuma classificação inferior a 16, outras média de 17 e nenhuma classificação inferior a 14. Há para todos os gostos, talvez o mais adequado será dizer há para todos os contextos/realidades escolares. 
Não atribuo qualquer importância aos quadros de excelência, para mim, um aluno, com dificuldades de aprendizagem, que tem tudo níveis três, devido ao grande empenho e esforço que fez ao longo do ano para os obter, tem tanto ou mais mérito que o aluno que tem tudo níveis cinco devido às suas capacidades e/ou trabalho. Não acho normal nem benéfico, que se façam e aceitem recursos a dois níveis 4 atribuídos com a justificação “Queria que subisse para cinco porque assim vai para o quadro de excelência”. Como não aceito, certas e determinadas coisas que se dizem nas reuniões de avaliação de final de ano, quando temos, por exemplo, um aluno que tem 7 níveis cinco e não vai para o quadro de excelência porque tem nível três a Educação Física, nota perfeitamente explicada e justificada pelo docente, a que acresce o facto do aluno admitir as suas dificuldades e se auto avaliar com nível dois. Começa o fenómeno de massas quando um colega diz: 
– “Vá sobe lá isso, ele merece!” quando acabamos todos de perceber que não, e logo outro colega acrescenta
– “Não aceito, a Educação Física não deve ter o mesmo peso que o Português, a Matemática ou as Ciências. Não vale o mesmo!” e mais um colega se manifesta
– “A Educação Física é mais papista que o papa, já deixou de contar para a média do secundário e por causa destas coisas qualquer dia não conta para nada”. 
Penso, está o circo armado, com uns quantos a manifestarem-se efusivamente, perante o olhar estupefacto do colega visado, enquanto uns quantos se mantém calados, impávidos e serenos. Sou apelidada de “dura, intransigente e que só complico” porque não me inibo de partilhar a minha indignação face ao proferido, aos “ataques” feitos e aos argumentos apresentados, mas, principalmente, desconfio eu, porque o fenómeno de massa parece não me afectar. Enquanto, professora de Matemática, não considero que a minha disciplina “valha” menos ou mais que nenhuma das outras, todas as disciplinas têm características e particularidades mas fazem todas igualmente parte da formação do aluno. Em vez de questionarmos os critérios estabelecidos pela escola, que impedem a entrada, de um aluno, para o quadro de excelência por ter um nível três, pressionamos/atacamos a dignidade de um colega e/ou os critérios de avaliação, que desconhecemos, de uma determinada disciplina, consideramos que há disciplinas de 1ª e disciplinas de 2ª. A união de classe em todo o seu esplendor! Atribuo estes pequenos lapsos ao cansaço acumulado que todos vivemos, nesta altura do ano, e aos vários momentos de tensão porque passamos nestas reuniões finais mas há definitivamente considerações inadmissíveis! Face à minha longa, e igualmente efusiva tirada, maioria remete-se ao silêncio e apenas um colega continua insistentemente e dá, no seu entender, a machadada final “Se fosse um filho teu, não gostavas!”. Não gostava, nem deixava de gostar, era-me indiferente, e far-lhe-ia ver exatamente isso enquanto mãe: não podemos ser excelente a tudo, devemos aprender a lidar, gerir e aceitar isso, o que não nos tira o mérito nem o valor naquilo em que realmente somos bons, a isto chamo educar. Cabe aos pais reconhecerem o empenho/trabalho e desempenho do seu filho enquanto aluno, que muitas vezes não se “mede” no nome inscrito num quadro ou pelo número de cinco, e há tantas formas de o demonstrar de forma significativa.
É por estas, e outras, razões que os quadros de excelência não me dizem muito, não sou contra nem a favor, mas é neste tipo de situações que lhes deixo de achar qualquer tipo de piada enquanto mãe e professora!  
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