"À conquista" das Berlengas

Junto ao cais de embarque o entusiasmo é grande! Pequenada relutante em tomar o comprimido para o enjoo mas, meia hora antes do embarque, não se escapam a engolir Vomidrine, eles e nós; foram muitos os relatos que ouvimos sobre a agitada viagem até à Berlenga. 
Há várias empresas que fazem a travessia de Peniche até à Berlenga, nós escolhemos o tradicional Cabo Avelar Pessoa, o barco maior e o mais barato! Na partida, foi distribuído uma saco preto a cada tripulante, com o aviso “Não é dos dias piores mas nunca se sabe!”. Felizmente, ninguém enjoou, pelo menos manifestamente! Mas a travessia é uma viagem que impõe respeito, alguns salpicos, banhos integrais para quem vai no “rés do chão” do barco e as ondas … batem de frente ou de lado e nem sempre suavamente. Segundo as palavras da pequenada parece uma viagem de “montanha russa” ou no salta montes”, coisa onde eles nunca andaram mas deve-lhes ter parecido semelhante. Pequenada teve medo  apesar de só a mais pequena o confessar, o barco bamboleou fortemente! O segredo para não enjoar parece residir em olhar sempre para a costa ou para a ilha, apreciar e desfrutar da vista e da experiência. 

(o elefante da ilha)

(o Forte S.João Batista)

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(LifeÿBerlengas)

(o farol do Duque de Bragança)


A única praia, com acesso pedonal, situa-se no Carreiro do Mosteiro, uma falha sísmica que parece dividir, a ilha em duas partes!

As gaivotas de pata amarela, estão aos largos milhares espalhadas pela ilha, apresentando nas últimas décadas um crescimento exponencial. A probabilidade de sermos atingidos por dejetos de gaivota é elevada, nós conseguimos escapar ilesos, o mesmo não poderão dizer os nossos vizinhos do lado! Os vestígios dos seus excrementos encontram-se por todo o lado na ilha e estão a danificar os solos, colocando em causa a subsistência da flora. Como não tem predadores naturais, podem viver até aos 35/40 anos, houve necessidade de implementar medidas para controlar esta “invasão” de gaivotas na Reserva Natural das Berlengas.


A praia paradisíaca com uma água azulinha, límpida e bastante fresquinha. O parque de campismo da Berlenga situa-se na encosta acima da praia, uma vista fantástica, sempre que se sai de “casa”. 


Depois de uns mergulhos e o piquenique na praia, decidimos fazer-nos ao caminho – o trilho até ao Forte S. João Batista, 1 km muito duro, começando pela subida da praia até ao farol que é bastante acentuada e longa e, mais tarde, a escadaria íngreme que dá acesso ao forte (cerca de 275 degraus). Encontrámos uns ingleses a meio da subida para o farol que, sorrindo condescendentes, nos disseram “It will be hard on the kids but it´s worth it” e tinham razão. Mas por esta altura, já eles estavam fartos de reclamar, devido à subida íngreme, ao calor e às mochilas às costas e sei lá mais o quê … queriam voltar à praia e aos mergulhos. Lançamos o desafio “Vamos caçar tesouro?” e logo se ouvi a resposta entusiasmada “SIMMM!”. Fazer geocaching é sempre um bom motivo para colocar a pequenada da casa a andar quando lhes falta o entusiasmo. Ligámos o GPS, consultamos as caches que já tínhamos descarregado e a primeira estava mesmo ali ao lado.

Na subida para o farol, alinhado com o Carreiro do Mosteiro, e derivado da mesma falha sísmica, encontramos o Carreiro dos Cações. 
Foi aqui que encontrámos a nossa primeira cache do dia, desfrutando desta vista maravilhosa.

Junto ao farol a vista é de tirar a respiração, a praia, o Bairro dos Pescadores e avista-se ao longe o Cabo Carvoeiro e Peniche! 
Aqui falhámos uma cache, os miúdos estavam com bom andamento e entusiasmados, o terreno era a direito, não parámos antes que perdessem a embalagem. 

(uma gaivota e as suas duas crias)


É impressionante o número de gaivotas existentes na ilha e o ruído que produzem em conjunto, bem como os voos rasantes que fazem junto às nossas cabeças. Pequeno do meio ouviu bem de perto os avisos de um gaivota mãe quando se tentou aproximar para tirar umas fotografias às suas crias.

Há sempre quem decida criar atalhos mas é pedido, expressamente, aos visitantes para não saírem dos trilhos, como forma de preservar a flora e o habitat da Reserva Natural das Berlengas!
Uma espécie endémica que só existe nas Berlengas, Armeria berlengensis. Uma guia turística, com quem nos cruzámos na ilha, referiu que o nome da ilha, Berlenga, derivava da denominação destas plantas. Não conseguimos comprovar esta informação, fica a questão:terá sido a flor a dar o nome à ilha ou vice versa?


A meio da descida, para descansar e desanuviar, já com o forte à vista, e uma escadaria interminável também, fizemos mais uma cache e esta tinha brinde, um Travel Bug :).

O imponente Forte S. João Batista 

(vista de uma das pequenas janelas do corredor que dá acesso aos quarto do forte. Em cima, o bar/restaurante da responsabilidade da Associação de Amigos das Berlengas)

Depois da visita ao forte, na hora do regresso, pequenada está impaciente por voltar à praia e refrescar-se com mais uns mergulhos! Temos três opções: apanhar o “aquataxi” 2€ por pessoa do forte até ao Carreiro do Mosteiro, 5€ por pessoa até ao Carreiro do Mosteiro mas passando nas grutas existentes ou iniciar o longo percurso de regresso. Face a uma pequenada impaciente, recalcitrante e a embirrar fortemente com tudo e com todos, escolhemos regressar a pé para os ânimos acalmarem. Pequenos mais velhos na liderança, imprimiram um bom ritmo, motivados pelo desejo de um belo mergulho, em 30 minutos estávamos a banhos! Às 17h00, o areal da praia no Carreiro do Mosteiro está completamente à sombra e a malta “local” desloca-se para junto do cais, para fazer aquilo que aqui por casa denominamos de “praia a Açores” – mergulhar do “betão para o mar”

Dizem que a viagem de regresso a Peniche é tipicamente muito mais pacífica pois navegamos a favor da corrente. A nossa não foi exceção, nem houve direito a distribuição de sacos no início da travessia, e os pequeno perguntaram insistentemente “E as ondas? Onde estão as ondas?”, sentindo, talvez, a falta da adrenalina da viagem de ida. Deixámos para trás o arquipélago das Berlengas (a Berlenga, as Estelas e os Farilhões) com muita vontade de voltar, ao sabor do entusiasmo da pequenada “Foi o melhor dos dias!” para em seguida, adormecerem profundamente no nosso “regresso ao continente”

(bem visível a falha sísmica)

As Estelas e Farilhões

 (Cabo Carvoeiro)
(Forte de Peniche)
Nota: 350 é o número de visitantes, por dia, permitidos na ilha. À chegada e à partida de cada barco um vigilante da natureza do ICNF controla o número de desembarques e embarques. No Inverno, apenas permanecem na ilha os faroleiros e os vigilantes da natureza. As casas dos Bairro dos Pescadores são agora utilizadas para aluguer aos veraneante. 
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