No arborismo como na vida …

Miúdos alinhados, atentos, alguns com um ar preocupado, o monitor, depois de ter enviado uns quantos pais ansiosos e extremosos para a retaguarda, sabiamente, avisa “Não há aqui ninguém que não tenha medo. Todos temos, é normal … não se preocupem se caírem o cabo que vos prende aguenta com várias toneladas! O segredo, na 1ª volta, é não olhar para baixo, olhar sempre em frente. O mais importante é não desistir sem tentar!” Sorri ao ouvi-lo, as suas sábias palavras são regras que se aplicam muito para além do arborismo! 
Pela primeira vez, vi muitos miúdos a desistir sem completar a 1ª volta ao circuito, apesar de todas as tentativas do monitor, primeiro usando a lógica, transmitindo calma e segurança, e depois a rigidez militar necessária, perante uma criança que só chora e não ouve “Aqui em cima isto não é uma democracia, estás a impedir que os outros avancem! Ainda não tentaste e, se o fizeres consegues, depois decides se queres continuar ou não mas tens de avançar até à plataforma … ou andas ou vou ter que te puxar e vens pendurado!”. 
Cá em baixo, os pais fitam a criança e o monitor, a juntar à sua apreensão inicial, junta-se uma angústia e uma certa “vergonha” face à postura chorosa e desistente da criança lá em cima, acompanhada de um enorme alívio quando a veem, finalmente, no seu entender, “sã e salva”, a seu lado e em terra firme.
Protege-se demais, em situações seguras e controladas: ansiedades, preocupações, medos, que, inicialmente, não são das crianças, mas sim dos seus pais, rapidamente, se tornam suas, inibindo-os de aceitar desafios e conhecer os seus limites! Nesta, como em muitas outras situações, ser um observador distante, mas atento, perante os desafios que os miúdos vivem/enfrentam, parece-me essencial, para aprenderem a gerir os seus medos, testar os seus limites, aceitar os desafios com naturalidade, mantendo uma mente aberta face aos mesmos. 
Enfrentamos desafios, de várias naturezas, ao longo da nossa vida, estimular o “Nunca desistir, sem antes tentar!” deve ser feito desde pequeno, face a qualquer desafio que seja adequado à sua idade, obviamente!

Aqui por casa, pequeno do meio, ponderou várias vezes, cair propositadamente para experimentar a emoção e a adrenalina de ficar pendurado, face ao nosso aviso, reforçado pelo monitor, “Se caíres, de propósito ficas aí uns tempos, para apreciar bem”, ponderou e hesitou, com o seu sorriso maroto espelhado, mas achou por bem não experimentar. O que os pequenos mais velhos não prescindiram foi de experimentar correr no percurso e fazer slide de cabeça para baixo sobre o olhar atento e “invejoso” da mais pequena que proferia um “Para a próxima também vou, já sou alta!” 🙂 Pimpolha mais velha confessa “Tenho sempre um pouco de medo quando subo mas depois quando começo é muito fixe!”, já pequeno do meio “Medo? Medo, eu? BAHHHH!”

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