Estado

“Ses” e “sós”

Pequenada da casa é especialista em implicações e equivalência, para seu azar, os pais apreciam a lógica matemática mas, neste caso, valorizam ainda mais a lógica das e nas ações.

Em determinada fase, sempre que lhes pedíamos um favor, qualquer que fosse, a resposta típica, especialmente, do pequeno do meio, que logo as manas se apressaram a seguir o exemplo, era “Só faço se …”

Os “ses” e os “sós” estavam sempre presentes na resposta a qualquer pedido e em toda e qualquer argumentação. O princípio “ativo” dos seus “ses” e “sós” era a recompensa! Esta sua estratégia que poderia ter sido um sucesso, foi condenada, desde o início a um insucesso determinante com um “Obrigado! Assim não preciso da tua ajuda! Cá em casa não há nem “ses” nem “sós”, nem para vocês nem para nós!” e a resposta na ponta da língua não se fazia esperar “Mas se …”. “Acabou! Não há “ses”, não vale a pena continuarem”.  Normalmente, depois de verem goradas as suas várias tentativas de “ses” e “sós”, depois da reprimenda, frustrados e irritados, por lhes mostrarmos que não estavam a ser cooperantes mas sim birrentos, acabavam por dizer entre dentes, ou aos berros, “Ok, eu faço!”.

Como somos tortos ou direitos, dependendo da perspectiva, as exigências referidas nos seus “sós” e “ses”, mesmo quando se transformavam em pedidos, não se concretizavam. Foi duro, muito choro, revolta, irritação de parte a parte mas os “ses” e os “sós” praticamente deixaram de se ouvir cá por casa. De quando em vez, lá vêm um ou outro à baila mas como a resposta obtida é sempre a mesma, ficam-se pela primeira tentativa, resmungando “Sim, sim, já sei! Não há “ses” nem “sós”!”.

Rigeza é o que a malta precisa … embora muitas vezes procurem derreter-nos o coração e as determinações, são guerreiros exímios, extremamente perspicazes e impiedosos nesta arte, temos que selecionar os momentos em que lhes permitimos que isso aconteça. Nenhuma “batalha” deve ser menosprezada mas há aquelas que não se podem perder, pois a derrota põe em causa o trono e este deve pertencer sempre, e inquestionavelmente, aos pais.

“Firmes e hirtos que nem uma barra de ferro!” já dizia o outro.

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