Estado

Solidão, telefonemas e conversas …?

“Olá! Bom dia! Como está? Hoje o dia não está muito bonito!” – meia dúzia de tentativas de chamadas oriundas de um número particular, quando tenho tempo e, finalmente, atendo é assim que sou brindada. Penso “Raios, já me querem vender mais qualquer coisa ou mais um estudo de tele marketing”.  Não poderia estar mais enganada, a conversa desenvolve-se em torno de assuntos banais, sem grande finalidade, “Tudo muito bem,  mas o que é que deseja?” e a resposta deixa-me boquiaberta “Apenas conversar um bocadinho, matar a solidão!” sorriu, penso e verbalizo “Não tenho tempo para isso agora!” “Então e qual é a melhor hora para falarmos um bocadinho?” pergunta do outro lado uma voz masculina, meia idade, com espírito, quase que consigo visualizar um sorriso do outro lado da linha. “Até já, um beijinho para si e outro para mim que eu não sou invejoso!”. Dou comigo a sorrir e a pensar “Há com cada um!”. Dezenas de chamadas de um número particular nos dia seguintes, não atendi nenhuma, não há tempo para fantasias! A estratégia muda, passa a ligar com o número visível, atendo e, do outro lado da linha, ouço a mesma voz culta, constato que apesar de eu me lembrar da voz e da conversa, o recíproco não se verifica, o que me deixa a pensar com quantas dezenas de pessoas já tentara ou falara entretanto! Quando lhe perguntei o objetivo da chamada voltou-me a responder “Apenas conversar um bocadinho, matar a solidão!”. Uma conversa rápida e inócua, termina com as considerações finais habituais “Qual é melhor hora para falarmos mais um bocadinho? E um beijinho para si e outro para mim que eu não sou invejoso!”. Mais tarde, não desarma, face à pergunta lançada, desta vez, por um interlocutor masculina “No que é que o posso ajudar?” responde simplesmente “Apenas conversar um bocadinho, matar a solidão! (…) Não me diz o seu nome, vou chamar-lhe Dinis. Ó amigo Dinis, amanhã vou apanhar a azeitona se me quiser vir ajudar, isso é que era mesmo bom. Tem GPS? Dou-lhe já as coordenadas para vir cá ter!”. De seguida, fez uns versos com o nome Dinis, pufff, “Tenha uma boa tarde!” e chamada cai, deliberadamente, por iniciativa do “Dinis”. Aparentemente, o “Apenas conversar um bocadinho, matar a solidão!” não tem tanta piada com alguém do sexo masculino, não voltou a ligar.

Nos tempos que correm, ouvem-se e acontecem coisas estranhas, mas dada a conversa inofensiva e não intrusiva, tudo me leva a crer que seria uma pessoa com espírito, culta e bem disposta mas, aparentemente, assolada pela solidão/isolamento … talvez devido à apanha da azeitona?? Engraçadas, surreais e curtas foram as nossas conversas mas deixaram-me com um sorriso nos lábios, fez-me lembrar o meu saudoso amigo dos borrifos e os astronautas :)! Afinidades e pancas … minhas e deles!

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