Drave: a aldeia mágica!

Drave é um aldeia isolada rodeada pelas serra da Arada, da Freita e de São Macário, não é acessível de carro, não tem água canalizada, eletricidade, gás, saneamento e a rede de telemóvel é praticamente inexistente.

Depois da emoção de alguns quilómetros, num estradão acidentado , decidimos estacionar o carro e, seguir a pé, na dúvida se o nosso carro se aguentaria no regresso, dada a inclinação de algumas subidas. Após uma caminhada de 1 km vislumbramos Drave, no fundo do vale, e o sentimento é “UAUUU … como é possível alguém ter vivido tão isolado uma vida inteira”. Drave foi habitada desde o século XIV e o último habitante, da família Martins da Drave, abandonou a aldeia no ano de 2000.

Os Escuteiros adquiriram algumas casas, palheiros e terrenos na Drave e com o seu trabalho árduo de rehabilitação e manutenção, construíram um Centro Escutista para Caminheiros (Base Nacional da IV) . Foram eles os únicos que encontrámos no caminho e na Drave.

É difícil descrever o que sente ao percorrer as ruas acidentadas da Drave, observando as 2 dezenas de casas que permanecem de pé, rodeadas de montes, isoladas de tudo e de todos. É, claramente, uma local de contemplação e que nos faz questionar por que razão alguém escolheria viver ali, ao mesmo tempo que nos apetece ficar naquele recanto encantador só mais um bocadinho, apesar de já se fazer tarde, o sol estar quase a esconder-se e ainda nos aguardar uma longa e árdua caminhada e a emoção se o carro se aguentará à bronca nas subidas do estradão. Os miúdos correm pela ruelas e exclamam “Não mora aqui mesmo ninguém?!” enquanto as suas risadas e vozes ecoam pelo vale. “Ena pá, se isto fosse tudo nosso?! Era mesmo fixe …!”. Só foi pena a ribeira, que passa na Drave, levar muito pouca água, não podemos desfrutar de mais um bela vista e os seus “rápidos”! Fica para a nossa próxima visita a esta aldeia mágica!

No regresso, o carro aguentou-se, sem hesitações, mas ficou coberto por uma bela e fina camada de pó. Sempre que nos dias seguintes passávamos por um carro em igual estado os miúdos exclamavam “Olha, olha, aquele carro também foi a Drave!”. É assim que nascem as private jokes, esta permanece e utilizamo-la com frequência!

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