Galeria

Galeria de Arte Pública – Quinta do Mocho

Na década de 80 do século passado, 3 torres, de 10 andares, abandonadas, em fase de construção, foram ocupadas por pessoas oriundas das ex colónias portuguesas, dando origem a um bairro degradado e clandestino. Em 1999, estas pessoas foram realojadas (cerca de 3500 pessoas , 530 famílias, em 91 edifícios) na mesma zona, dando assim origem ao bairro social da Quinta do Mocho em Sacavém. Um bairro multicultural onde convivem pessoas de países como Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé, entre outros.

Dado aos vários incidentes reportados, ao longo dos anos, o bairro ganhou má fama, a Rodoviário recusou-se a circular no bairro, os residentes tinham vergonha de dizer onde moravam, dando moradas falsas para arranjar emprego e em contexto social.

Desde setembro de 2014, a imagem do bairro começou a mudar pela mão do projeto “O bairro i o mundo”: a pintura das fachadas de prédios, muitos prédios, por artistas (re)conhecidos a nível nacional e internacional, transformaram o bairro no galeria de arte fabulosa, variada e original. As fotografias das pinturas correram o mundo e abriram o bairro ao mundo, trazendo muitos visitantes e mudando gradualmente a imagem associada à Quinta do Mocho. Os autocarros da Rodoviária voltaram a circular no bairro ao fim de anos de ausência.

No último sábado de cada mês, às 10h00, é realizada uma visita guiada às pinturas do bairro e explicada a sua simbologia, pela mão de 3 simpáticos jovens residentes do bairro. As inscrições podem ser realizadas através do mail bairromundo@gmail.com ou consultando a página de facebook do projeto.

Neste momento, existem 50 fachadas para visitar mas o processo é muito dinâmico, existem 30 artistas em lista de espera desejosos de pintar na Quinta do Mocho. Os artistas não são pagos, a Câmara Municipal de Loures oferece as tintas e o alojamento mas com as celebridades que já lá deixaram a sua marca (ex. VHILS, Bordalo II, etc.), muitos são os que anseiam por juntar o seu nome a esta já famosa galeria. Os artistas convivem com os habitantes do bairro e as suas pinturas, normalmente, refletem a sua visão do bairro ou da atualidade; não trazem, regra geral, nenhum ideia para a pintura quando chegam ao bairro. O processo de realização da pintura é rápida, demorando entre 1 dia e meio a 2 dias e as pinturas multiplicam-se e o bairro ganha cor! Uma galeria de arte fantástica e cheia de significados  que causa muito orgulho nos seus moradores. Uma visita que vale muito a pena, embora um pouco longa, 2h30, a pequenada já estava um pouco cansada e impaciente.

O Bairro, os seus habitantes e vivências!

Perguntas dos pequenos

  • no parque infantil “Não dá para ir ao escorrega, está tudo partido. Não dá para andar em nada!”
  • ao circularmos pelo bairro “As portas não têm vidros ou estão todas destruídas porquê?” “Porque há colchões na rua?” “Tantos estendais, na rua, coloridos!”
  • à porta dos prédios “Só há coisas velhas e partidas!”

Um projeto de louvar mas há um longo caminho pela frente, importa mudar a imagem do mundo sobre o bairro e dentro do próprio bairro!

Para percebermos a diferença entre os bairros sociais do Porto, um do nosso guias aconselhou-nos a ouvir a seguinte música

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