Estado

Os livros, as tecnologias e a educação.

Aconteceu, por uma questão de horário e de na mala não haver espaço para mais nada, chegar à aula com 4 livros na mão, acabadinhos de requisitar na biblioteca da escola. No final da aula, há sempre 3 ou 4 alunos que ficam porque têm dúvidas, porque ainda não acabaram de fazer ou passar o exercício ou apenas para dar 2 ou 3 dedos de conversa. Verificou-se a última situação, “A professora também vai à biblioteca!” ao olhar para alguns títulos exclama outo aluno “Tantos livros mas alguns devem ser para os seus filhos, certo?”. Confirmei que 3 eram para a pimpolha mais velha que gostava muito de ler “Quantos anos é que ela tem e quanto tempo leva ela a ler esses livros todos?” pergunta outro aluno meio desconfiado ao que respondo “Tem 9 anos e, em 1 semana, em princípio, já deve ter lidos os três.” Olham todos para mim com um ar incrédulo “Credo, Professora! Eu, na minha vida de 15 anos, não li tantas páginas como esses 3 livros têm em conjunto!” os restantes exclamaram “Li um pouco mais, mas não muito mais, talvez o dobro ou o triplo!”. Fiquei meio abismada e, o que raramente me acontece, sem saber o que dizer.

Se isto não é muito preocupante e triste, não sei bem como o classifique! Há coisas, muitas, talvez as essenciais, que as novas tecnologias não devem/podem substituir e isto parece estar a passar ao lado de muitos, cegos que andamos com as facilidades e encantos dos gadgets.

Ocorre-me a citação,

os dirigentes de grandes empresas tecnológicas como Yahoo e Facebook matriculam os seus filhos em escolas totalmente isoladas (da modernidade), sem computadores. Com quadros negros, giz e livros, estantes cheias de livros que se podem manusear. Esses já compreenderam.”  retirado daqui.

Cada vez mais, aplico esta máxima, a todo o tempo livre da pequenada da casa, quase sempre livre de gadgets, “obriga-os”, e a mim, a procurar e a explorar outros entretens, que às vezes me dão cabo da paciência: Legos espalhado por todo o lado, quartos transformados em tendas, jogos que nunca mais terminam para se poderem arrumar, desenhos, colagens e recortes por todo o lado, muita interação entre os 3, que inclui gritaria, guerras, mas também muita cumplicidade, livros sempre fora do sítio, ao monte ou em movimento, histórias que inventam e escrevem em folhas que deixam espalhados pela casa! Não sei como será no futuro mas, por agora, parece-me um bom investimento embora, regra geral, a nossa casa pareça um pandemónio e os vizinhos agradecessem, certamente, o sossego e o silêncio proporcionado e típico da utilizaçõ de gadgets e/ouTV… Não se pode ter tudo, há que investir no essencial.

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