Citação

Meteoropatia

“Viajamos para conhecer as duas realidades mais importantes da nossa vida: o mundo que nos rodeia; e o mundo que trazemos dentro de nós. O primeiro está mapeado e descrito(…) , no segundo caso é a aventura total. (…) Crescemos rodeados de certezas, dogmas, afirmações peremptórias, referências imutáveis. Quando começamos a viajar, tudo isto é posto em causa. Viajar muda a nossa forma de entender quem somos. Muitas vezes deparamos com conceitos que de repente fazem luz sobre algum problema, mania, intolerância, maleita, que nem sabíamos padecer, e afinal em outras partes do mundo são corriqueiras. Por exemplo: meteoropatia (…) refere-se a um conjunto de distúrbio psíquicos e físicos provocados por alterações das condições metereológicas (…)”

Gonçalo Cadilhe, in “Meteoropatia” – artigo publicado na Revista Visão desta semana

Galeria

Com o tempo

Mais um belo livro infantil, Planeta Tangerina, sobre o tempo e os seus (e)feitos. Podemos escolher ignorá-lo ou menosprezá-lo, não lhe dando a importância devida, mas o seu papel é inegável!

“Inclino-me para a regra segundo a qual uma história para crianças que apenas agrade a crianças é uma má história para crianças.” C.S. Lewis

Estado

Quando o “nada” pode ser “tudo”!

Um artigo muito interessante sobre uma escola, numa das vilas mais pobre e isoladas da Madeira, Curral das Freiras, onde 80% dos alunos não tem livros em casa e só metade tem computador com acesso à internet. Está entre as melhores escolas públicas no ranking nacional. Não há TPC, não há toques nem campainha, os critérios de avaliação são 90% para o conhecimentos de conteúdos e 10% para o comportamento e assiduidade … são apenas 300 alunos da creche ao 12º ano, 92%  dos quais são subsidiados pela Ação Social Escolar, numa comunidade de cerca de 1500 pessoas, num vale isolado e profundo, vivendo essencialmente da agricultura, e onde a internet não faz parte da vida da maioria (ou das suas prioridades). Independentemente, dos múltiplos fatores que explicam este fenómeno, destaco o que acho mais curioso, e talvez mais significativo, o “não ter nada” para muitos dos jovens mais citadinos (e alguns adultos) pode ser “tudo” e fazer toda a diferença numa realidade que faz lembrar tempos idos!

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Para onde vamos quando desaparecemos?

Transmitir a perda de um ente querido, o seu significado a uma criança, imagino, que seja muito complicado. As crianças, na sua ingenuidade e munidas do seu pragmatismo, colocam muitas perguntas, porquês, que muitas vezes  nos ocupam a mente mas não ousamos verbalizar mas que surpreendem pela sua simplicidade e pelo complexo que é responder-lhes.

Há livros infantis fantásticos, que são um consolo para a alma, é o caso do livro “Para onde vamos quando desaparecemos?” do Planeta Tangerina, que trata com uma maestria louvável este difícil tema. Vale mesmo a pena ler, apreciar a simplicidade e beleza de “argumentos” e acreditar …

Para ti minha linda e doce Rute com um xi-coração bem apertadinho!

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Portugueses, entre os que menos gostam da escola?

Health Behaviour in School-aged Children é um estudo realizado, de quatro em quatro anos, pela OMS,  e pretende avaliar hábitos, consumos, comportamentos, com impacto na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento: aos 11, aos 13 e aos 15 anos. Mais de 22o 000 alunos europeus e norte americanos, dos quais 6000 eram portugueses, participaram na edição de 2014/2015. Consultar os resultados da edição de 2014/2015

Em 1997/1998, os alunos portugueses eram dos que mais gosto demonstravam pela escola (2º posição em 28 países), situação que se alterou drasticamente com o passar dos anos, em 2014/2015, ocupamos a 33ª posição, onde apenas 11% das raparigas e 14% dos rapazes afirmam gostar das escola. Curiosamente, a pressão do trabalho escolar não parece ser o principal factor para este não gostar da escola como mostra o gráfico em baixo …

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Dados preocupantes:

“Em Portugal, contudo, como já se viu, a escola não parece ser grande fonte de felicidade. E os temas “satisfação com a vida” e “bem-estar” foram mesmo dos mais surpreendentes no inquérito português quando ele foi divulgado no fim de 2014. Quase um em cada três adolescentes disse que se sentia deprimido mais do que uma vez por semana. Eram 13% em 2010. E um em cada cinco alunos do 8.º e 10.º anos magoara-se a si próprio nos 12 meses anteriores ao inquérito, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga.”

“As meninas portuguesas de 13 anos são mesmo das que têm mais excesso de peso nos 42 países analisados: 24% têm peso a mais ou estão já obesas, sendo que uma prevalência igual é observada no Canadá e maior só em Malta.”

“Aos 11 anos, por exemplo, entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullyingna escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. A média é 13%. O país tem, assim, a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying. O cenário piora quando se avalia a percentagem de adolescentes que foram vítimas “pelo menos uma vez nos últimos dois meses” — ou seja, quando se procura aferir um bullying menos frequente, 34% dos alunos de 15 anos dizem ter sido vítimas. Bem acima da média HBSC de 23%.”
Citações do artigo do Público , que vale a pena ler na íntegra.

Importa meditar sobre estes dados, identificando as causas e procurando soluções. Muitos dirão que a Escola é a culpada, solução fácil! Certamente, que a Escola tem a sua cota parte de culpa, num modelo que varia conforme quem governa sem parecer existir um fio condutor e onde o mais importante é muitas vezes relegado para 2º plano, mas também muito mudou na educação das crianças em termos de valores, responsabilização, objetivos, socialização e ocupação de tempos livres.

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O Tempo Canário e o Mário ao contrário

Uma noção complexa para as crianças (e não só), a do tempo, a sua passagem, efeitos e consequências. Repleto de alegorias, metáforas, observações e comentários curiosos e um dicionário muito próprio, o livro “O tempo canário e o Mário ao contrário” “mostra-nos” o tempo, nas suas várias facetas, proporcionando-nos uma viagem muito interessante.

Alguns excertos do livro:
“O Tempo: não é bem uma pessoa, como nós, porque tem asas e voa. No entanto, vai tendo a sua vidinha e o seu trabalho certo. No fundo, é um trabalho que não tem assim tanto que saber: basta passar pelas pessoas e envelhecê-las. A verdade é que o tempo tem pressa de fazer o seu trabalho, por isso anda sempre a correr (como nós quando fazemos os trabalhos de casa). Há quem diga que ele é dinheiro. No entanto, nunca se viu ninguém trocá-lo por uma caixa de gelados em nenhum centro comercial.”

“Não comendo sopa, as sopázias grossas e empastadas [isto das sopas, e quem ainda é miúdo, sabe-o bem, há de tudo e para todos os desgostos: há as canjas que se engolem menos mal; há as de cenoura e  abóbora que lá vão escorregando devagar pela goela; e há, por último, as verdes, também chamadas sopas do pântano e que são, naturalmente, intragáveis porque os sapos esmagados agarram-se-nos à garganta e só dissolvidos em litradas de água é que nos saltam para o estômago… a coaxar] impingidas às refeições, as crianças até podem ficar fracotas, enfezadinhas, feiosas, estafadas, sempre cansadas de língua de fora, mas crescem à mesma. Porque se há coisas mais fortes e com mais poder do que uma colher de sopa (mesmo as pantanosas), o tempo é uma delas. (…) E os miúdos acreditavam, e lá levavam à boca mais uma garfada ou colherada. Mas não tinham razão os pais, a sopa (mesmo a lamacenta de verduras movediças) não tinha nada nadinha a ver com isso. A culpa era toda do Tempo, aquele preguiçosão, mariquitas pé de salsa [Deve dizer-se mariquinhas pé de salsa ou mariquinhas pede salsa? Decidam se o mariquinhas do tempo tinha os pés de salsa, o que não deve dar jeito nenhum, ou se andava aí pelos cantos a pedir raminhos de salsa.”

Um bom livro para miúdos e graúdos.

“Inclino-me para a regra segundo a qual uma história para crianças que apenas agrade a crianças é uma má história para crianças.” C.S. Lewis

Vídeo

Os Robots da Google e a inteligência artificial! Medo???

A Google, e não só, está a apostar forte e feio na inteligência artificial e “nos seus robots”. O vídeo publicado esta semana, pela Boston Dynamics, que pertence à Google, leva-nos a pensar que o Robocop poderá ser uma realidade em breve, basta observar e ler com atenção!

Este vídeo e o em baixo, provocam-me sentimentos contraditórios: a espantosa capacidade de engenho, criatividade e inteligência do ser humano por um lado, e o reverso da medalha, não gostaria de me cruzar com nenhuma destas “criaturas”, o perigo de uma “má utilização/gestão” parece-me óbvio bem como o poder iminente da “criação” suplantar o seu mestre/criador.

Bill Gates e o Stephen Hawking foram apenas alguns, do muitos, que já manifestaram a sua preocupação relativamente ao “uso/desenvolvimento” da Inteligência Artificial e necessidade de existência de uma regulamentação.

“Once humans develop artificial intelligence, it will take off on its own and redesign itself at an ever-increasing rate (…) Humans limited by slow biological evolution cannot compete and will be superseded. (…) AI could be a ‘real danger’ and AI could be the end of humanity.”        Stephen Hawking

Um artigo muito interessante sobre o tema no Washington Post

O Spot, o cão Robot

 

O Spot, o cão Robot, a interagir com um cão verdadeiro!

It makes me wonder … o que o futuro nos reserva!