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Keep Calm, o TPC é dele e não teu!

Duas realidades opostas na realização do TPC: pimpolha mais velha faz com prazer e despacha tudo assim que chega a casa, já o pequeno do meio está até à última e detesta, se forem de Português então, ui, ui, mas sabe que não fazer não é um hipótese e lá vai gerindo o seu tempo, onde em 1º lugar estão os Legos e tonteiras e depois, muito depois, quando o jantar se avizinha, trata do assunto. Desde o final do 2º período do 2º ano de ambos (portanto pequeno do meio está a entrar no período experimental) que não corrijo, não verifico, nem acompanho a realização do TPC, a não ser que peçam ou tenham dúvidas, de nenhum deles … até ao dia que “traírem” a confiança e aí estão feitos ao bife! Também não estudo com nenhuma dos dois, pergunto-lhes a matéria que sai para o testes para poder escolher fichas adequadas da colectânea que reuni e depois eles põem mãos à obra. Até agora tem corrido muito bem … vamos ver no futuro!

Enquanto professora, raramente envio TPC, e quando envio é para terminarem algum exercício que ficou por concluir na aula, a malta já é crescida, mas dou muitas fichas para realizarem autonomamente e depois colocarem as dúvidas.

Aqui fica o meu post desta semana no blogue Com Regras: “Keep Calm, que o TPC é dele e não teu”:

O famigerado trabalho de casa (TPC) – odiado por muitos, amado por poucos, como é norma na área da educação, comentados por todos. Algumas notas de saudável convivência e/ou sobrevivência ao TPC para proponentes, destinatários, opositores, defensores e comentadores:

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O poder de saber dizer “NÃO!”

São bebés, são lindos, fofinhos, prodigiosos, tudo o que fazem tem graça, gerando olhares embevecidos, são ingénuos, indefesos, desconhecem limites e perigos, são “reis e senhores” e o centro de todas as atenções. Mas eles crescem e algumas coisas mudam, ou deveriam! Aos 10 meses, já reconhecem o frases-para-nao-dizer-ao-filho-adolescente-1441207545121_956x500significado da palavra-chave: NÃO e é através deste conceito que estabelecem os limites do que lhes é ou não permitido, aprendendo as regras essenciais para uma saudável convivência.

Um NÃO proferido com firmeza e coerência, sem espaço para o porque nem porquê, gera choro, birra, olhares angelicais de súplica, numa operação de “charme” estratégica, orquestrada por um ser adorável que procura aliviar a sua frustração em ser contrariado, tentando demover/seduzir a fonte de proibição, ao qual se juntam outras vozes: “Deixa, não ralhes! Ainda é tão pequenino e é tão querido, logo tem tempo para aprender que não deve fazer! É tão engraçado!”. Face às várias “pressões”, ceder é tentador e a mais fácil das soluções, mas é também perder a oportunidade, crucial, de, na altura certa, corrigir comportamentos e atitudes indesejada. Regra geral, se ao 1 ano de idade, um comportamento pouco adequado pode ter alguma graça, aos 2 anos, a mesma atitude nada tem de engraçado e aos 3 é inaceitável mas a criança não o percebe porque faltou o tal NÃO no momento fulcral, a primeira vez. E surge na criança a dúvida, a revolta e a recusa em aceitar, baseado numa lógica muito válida ”Por que razão, de repente lhe é proibido, o que até então sempre lhe foi permitido?”

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Nota

Uma (boa) explicação

Há uma/duas décadas, as explicações eram um fenómeno: dada a oferta diminuta, os preços praticados eram, regra geral, exorbitantes, não estando ao alcance da maioria. Sem alternativa, havia que prestar atenção ao professor e recorrer ao espírito de interajuda entre colegas, estudando e esclarecendo dúvidas em grupo, onde todos, ou quase, reconheciam a importância, e a necessidade, do trabalho individual e autónomo para alcançar (um bom) aproveitamento.

Face ao desemprego na classe docente, a um aumento da disponibilidade financeira das famílias, geralmente, inversamente proporcional ao tempo que dispõem para a acompanhar, as explicações tornaram-se, na última década, o fenómeno, o que antes era uma exceção, passou a ser regra, proliferam os centros de explicações e as explicações particulares (uma fonte de rendimento para quem está no desemprego ou um extra para quem está congelado ad aeternum).

Para muitos pais e alunos, as explicações parecem ser a solução fácil para os problemas de aproveitamento e a sua fé nesta crença é inabalável. Consoante a crença, há para todos os gostos: individual, a pares ou em pequenos grupos, de uma ou de várias disciplinas, de uma hora, de hora e meia, de duas horas, ou o tempo que for necessário se o caso for urgente e/ou o teste estiver à porta. O mais difícil parece ser conciliar horários, tamanha é a sobrecarga de atividades mas fazendo alguma “ginástica” tudo se resolve.

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Estado

Ser filho de professor pode ser tramado!

O entusiasmo inicial de quem aventa nomes, face à boa nova, é brindado, sucessivamente, com comentários do género “Rafael, nem pensar! Já tive vários alunos com esse nome e eram todos terríveis… Pedro, também não me parece uma grande ideia…”. O entusiasmo inicial em busca do nome ideal para o novo elemento da família, dá lugar a um certo desalento, face à lista extensa de nomes proibidos, eliminados, sem apelo nem agravo. Escolher o nome para o rebento nem sempre é pacífico nem consensual, se lhe juntarmos uma lista extensa de nomes proibidos, pode tornar a tarefa extremamente complicada. Se em tempos, alguns professores davam aos seus filhos nomes de alunos que os marcaram por uma ou outra boa razão, hoje em dia, acontece o contrário, muitos são os nomes inconcebíveis dado o avolumar de recordações menos boas. Sinais dos tempos … do que era e representava a escola outrora para professores e alunos!

Enquanto aluno, filho de professor não tem a vida facilitada aos olhos de terceiros, sejam eles familiares, amigos ou colegas: se tem boas notas é porque o pai/mãe professor o ajuda a estudar e/ou conhece os seus professores; se tem más notas, que vergonha porque não aproveita ter alguém por perto que o pode ajudar; se é um aluno mediano, devia ser muito melhor pois afinal tem um professor em casa. A cereja no topo do bolo é acumular a “função” de ser filho de professor com o frequentar a escola onde o seu progenitor leciona. Nesse caso, sabe que quase tudo o que fez ou pensar vir a fazer, chega, em 1ª mão, aos ouvidos do progenitor por várias vias: os funcionários, os alunos do seu progenitor ou os colegas professores. Não tem grande margem para manobras: adoraria poder omitir alguns factos, opção vantajosa, na sua ótica, e a eleita por muitos dos seus colegas mas, muitas vezes, nem tem a oportunidade de contar a notícia, por sua iniciativa, e em 1ª mão.

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Estado

Fazer a diferença

Cigarro na ponta dos dedos, descontraído, sorri aparentando não ter uma única preocupação, próprio de quem tem todo o tempo do mundo, e cumprimenta, junto ao portão da escola, um antigo professoDSCN1477r. Um “cota”, nas suas palavras, de quem até nem gostava muito mas que tentou, sem êxito, ensinar-lhe qualquer coisa, dois ou três anos atrás, que ele já não se lembra bem o quê. O professor, procurando aliviar um pouco da pressão de mais um dia difícil, cede ao vício, que vezes sem conta já tentou abandonar, sem sucesso, dizem os entendidos, devido ao stress. Lado a lado, esfumaçando, professor e aluno, decidem entabular conversa: o aluno que não gostava particularmente daquele professor, aliás, como todos os outros, era-lhe completamente indiferente; e o professor que nunca sentira grande empatia com aquele aluno, muito pelo contrário; mas o dia estava solarengo e convidativo.

Não o surpreendeu quando o aluno lhe revelou que provavelmente iria repetir, pela 3ª vez, o 10ºano; à sua memória afloraram vários episódios, passados nas suas aulas, bastante reveladores da forma como este encarava a Escola, em particular aquela; nada na sua visão da escola parecia ter mudado desde então. Espicaçou-o: que não deveria/poderia continuar assim, perpetuando o mesmo erro, ano após ano, quase à beira de atingir a maioridade. Desafiou-o a indicar duas ou três coisas que realmente gostasse de fazer, que lhe dessem alento e motivação, sentiu a hesitação, muita, típica de quem sabe e não deseja partilhar. Insistiu e a revelação surge num sussurro envergonhado e receoso, o olhar implorando que não o criticasse ou se risse: o que lhe dava prazer e gostava mesmo de fazer era cozinhar, queria ser cozinheiro! Não partilhara com ninguém este seu desejo: os amigos gozariam consigo e rejeitá-lo-iam, os seus pais, há muito que não sabiam o que fazer, nem como conversar com ele, evitavam falar de escola, calculava que desde que fizesse alguma coisa da sua vida, ficariam contentes.

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Vislumbres do futuro

O frenesim começa assim que soa, o tão esperado, toque de saída. A música ecoa pelos corredores, nos vários “palanques”, nos megafones repetem-se chavões, anunciam-se atividades e atrações num role variadíssimo que vai desde convidados especiais, realidades-paralelastrampolins, às prendas: pipocas, rebuçados, canetas e afins. São dias onde, mais do que nunca, muitos vivem na expectativa das emoções que o próximo intervalo proporcionará.

A competição é renhida, o objetivo primordial é superar as “conquistas e feitos” dos rivais quer seja ao nível do chinfrim, das promessas, das emoções, da angariação de votos ou das ofertas. O circo “Em busca do voto perdido” instala-se na cidade escola e, durante três dias, o que antes era uma local relativamente pacato, transforma-se no palco de um espetáculo de variedades, cheio de truques, emoções, promessas aliciantes e mirabolantes.

Os cartazes tomam conta do espaço, uns mais coloridos, efusivos e criativos que outros, há autocolantes nas “lapelas do staff” e seguidores, distribuem-se guloseimas, beijos e abraços, cativam-se amigos e conhecidos, a eleição para a Associação de Estudantes e respetiva campanha é o tema que domina todas as conversas.

É curioso observar as “manobras de diversão” e constatar que, apesar de ser apenas uma eleição para a Associação de Estudantes, há estratégias, formas de agir, falar e aliciar que parecem ser intrínsecas aos cabeças de lista e a todos os que gostam e se envolvem nas campanhas eleitorais.

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Com papas e bolos, se enganam os tolos

Carinha laroca, alto, espadaúdo, emana confiança, envergando o seu ar trocista e andar gingão, consciente das suas capacidades, mente perspicaz e poder da argumentação,Charge2013-violencia_escolar-726113considera-se invencível. “Vão-me mandando de uma escola para a outra, não me querem em nenhuma. Nem eu, não aprendo nada de jeito na escola!” afirma orgulhoso, aos 14 anos e pela 2ª vez no 7ºano. Os seus interesses são vários, e não se escusa em partilhá-los com colegas e professores, tem uma agenda muito própria e uma fama que importa manter. Os seus roubos, efetuados à  hora do almoço, no supermercado junto à escola, são o tema predileto nas aulas de início de tarde, passando, rapidamente, para os telemóveis e Playstation, de vários modelos, disponíveis para “troca”, frutos de outras colheitas de horas mais oportunas. Aceita encomendas e compromete-se a realizar a entrega rápida e eficazmente. As suas preocupações mais prementes são angariar clientes ou cúmplices para uma nova patifaria; as aulas são um sítio, tão bom como outro qualquer, para definir estratégias e planos de ataque. Visitas à esquadra, diz terem sido várias mas “Como ainda não tenho 16 anos, não me podem fazer nada. E provas que fui eu, onde é que as têm?! Uns palhaços, é o que é!”. Entre os pingos de chuva, vai passando incólume, forjando o seu plano de vida “Ser podre de rico e não fazer nenhum!”.

Líder nato e inquestionável, quando não lhe agrada a matéria, o professor ou tem coisas a tratar ou etc., o que se verifica quase sempre, mina o ambiente, amedronta alguns colegas, professores e funcionários para levar a sua avante: vontade de sua excelência deve ser impreterivelmente obedecida. Rapidamente, se torna presença assídua na Direção, onde, segundo diz, é tratado como um senhor: sentado numa poltrona, é brindado com “uma valente seca do cota mas dão-me bolos, salames e gomas”, provavelmente, para digerir melhor a conversa.

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