Centro de Ciência do Café e Adega Mayor

Um belo dia passado em terras do alentejo, mais precisamenate em Campo Maior, terra do senhor comendador Rui Nabeiro, como é chamado pela população local. Manhã no Centro de Ciência do Café, piquenique, e à tarde subimos “ao monte” e visitámos a Adega Mayor com vinhos da reserva do senhor Comendador, numa adega nada convencional, desenhada por Siza Vieira.

A pequenada adorou o Centro de Ciência do Café, um museu interativo, repleto de novas tecnologias, onde de módulo em módulo, de jogo em jogo, se vai construindo o saber sobre a história do café, e o seu processo de fabrico.

Aprendemos que há varias espécies de plantas do café mas as duas mais comuns são a Arábica e a Robusta. A planta do café é originária do Corno de África e foi trazida, pela 1ª vez para a Europa pelos holandeses, que a plantaram nas suas estufas e depois levaram para as suas colónias, exemplo seguido de perto por Portugal, França entre outros. Na antiguidade, os muçulmanos bebiam café para prolongar as horas de oração. Os sacos de café são, regra geral, de 60kg, e o Brasil é o maior produtor de café, já os Finlandeses são os maiores consumidores. Vale a pena perder 2 ou 3 horas a explorar este Centro, aprendemos muito e a pequenada vibrou.

O Centro ganhou, em 2015, o prémio do Museu do Ano. De salientar que não há qualquer referência ao café Delta, nem a Rui Nabeiro, com exceção do seu busto e uma frase sua à entrada, do Centro. No café do Centro, a máquina não é da Delta, tem um ar todo xpto, suponho que o café servido seja da Delta mas mais uma vez não há qualquer referência. Qualidade, isenção, profissionalismo num projeto muito bem conseguido e que é único na Europa.

Apesar do dia frio e ventoso, “piquenicámos”, em frente ao Centro, com vista para as vinhas e a Adega Mayor, numas belas mesas de piquenique.

A Adega Mayor surpreende pela sua localização, no cimo de um monte, e pelo seus traços direitos, simples mas elegantes, não tivesse sido concebida por Siza Vieira, criando um novo conceito, e curioso, de adega. Os vinhos das reserva mais caras fermentam agora, em pipas de carvalho francês, antes era em carvalho americano, numa sala enorme ao nível térreo, que tem por cima, no terraço, em todo o seu comprimento, um lago, ajudando a preservar a temperatura (18ºC) e a humidade (80%), apesar de não ser o único “processo” utilizado. As reserva mais baratas fermentam em grandes cilindros de inox. As pipas para vinho das reservas mais caras são utilizadas apenas uma vez, passando depois a ser utilizadas para a fermentação de vinhos mais baratos, ao fim de 4 ou 5 utilizações são vendidas para lagares ou outros vinicultores.  O terraço tem uma vista fabulosa sobre a bela planície alentejana.  No final da visita, há prova de vinhos para quem apreciar.

Não somos apreciadores de vinhos, muito pelo contrário, mas foi uma visita muito interessante e a pequenada portou-se à altura e apesar de não ser um visita destinada a crianças, à sua maneira absorveram muita informação!

Vale a pena passar um dia e desfrutar do império/legado de Rui Nabeiro (um artigo interessante), que é o maior empregador do concelho de Campo Maior, com cerca 1600 empregados na sede e 3000 a nível nacional. A Adega tem cerca de 9000 visitas anuais, tendo sido notório, o aumento no ano em que abriu o Centro de Ciência do Café. Para promover estão a ser equacionados bilhetes de visita aos dois espaços com degustação de vinhos e café com o preço a rondar entre os 14 e os 16€ por pessoa (se não me engano).

Preços: 12€ bilhete de família no Centro de Ciência do Café, 2€ por adulto na visita guiada à Adega (sem prova de vinhos), as crianças não pagam, convém reservar.

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Viagens e blogues

Aventuras, viagens, dicas, destinos maravilhosos e variados, o blogue viajar entre viagens faz-nos sonhar e desafia-nos a arriscar, pondo os pés ao caminho. Para todos os que gostam de viajar, uma inspiração… Não tivéssemos 3 filhos, provavelmente, seríamos um pouco mais assim! Um post interessante contendo sugestões de como poupar dinheiro e amealhar para viajar. Máximas que aplicamos há muito por aqui … a parte dos livros é que …enfim!

Outro blogue interessante e com muitas sugestões, dedicado também ao tema viajar mas desta vez com crianças, é o Viajar em Família.

Programamos muitas viagens e passeios, sentados no sofá, pesquisando nas internet e destes dois blogues não perdemos pitada. Inspirem-se e aventurem-se. Vale a pena… só custa começar, depois de lhe ganhar o gosto, o difícil é escolher o destino!

Galeria

Centro Ciência Viva – A Floresta

Fomos até Proença-a-Nova conhecer o seu Centro de Ciência Viva, muito acolhedor e simpático, com experiências que os miúdos adoraram e de onde foi difícil “arrancá-los”. Tem um belo parque infantil e mesas para piquenique com vista para o Aeródromo de Proença-a-Nova, onde em dias mais quentes se podem observar alguns “paraquedistas”.

Depois do arejado piquenique, rumámos à aldeia de Xisto de Figueira e às praias fluviais de Fróia, Aldeia Ruiva e Malhadal, bonitas e imponente na sua beleza e dimensão, que merecem um outro post. Mais um belo dia de passeio, um pouco ventoso e cinzento, mas onde aprendemos muita coisa. Recomendamos o passeio e as visitas.

Galeria

Galeria de Arte Pública – Quinta do Mocho

Na década de 80 do século passado, 3 torres, de 10 andares, abandonadas, em fase de construção, foram ocupadas por pessoas oriundas das ex colónias portuguesas, dando origem a um bairro degradado e clandestino. Em 1999, estas pessoas foram realojadas (cerca de 3500 pessoas , 530 famílias, em 91 edifícios) na mesma zona, dando assim origem ao bairro social da Quinta do Mocho em Sacavém. Um bairro multicultural onde convivem pessoas de países como Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé, entre outros.

Dado aos vários incidentes reportados, ao longo dos anos, o bairro ganhou má fama, a Rodoviário recusou-se a circular no bairro, os residentes tinham vergonha de dizer onde moravam, dando moradas falsas para arranjar emprego e em contexto social.

Desde setembro de 2014, a imagem do bairro começou a mudar pela mão do projeto “O bairro i o mundo”: a pintura das fachadas de prédios, muitos prédios, por artistas (re)conhecidos a nível nacional e internacional, transformaram o bairro no galeria de arte fabulosa, variada e original. As fotografias das pinturas correram o mundo e abriram o bairro ao mundo, trazendo muitos visitantes e mudando gradualmente a imagem associada à Quinta do Mocho. Os autocarros da Rodoviária voltaram a circular no bairro ao fim de anos de ausência.

No último sábado de cada mês, às 10h00, é realizada uma visita guiada às pinturas do bairro e explicada a sua simbologia, pela mão de 3 simpáticos jovens residentes do bairro. As inscrições podem ser realizadas através do mail bairromundo@gmail.com ou consultando a página de facebook do projeto.

Neste momento, existem 50 fachadas para visitar mas o processo é muito dinâmico, existem 30 artistas em lista de espera desejosos de pintar na Quinta do Mocho. Os artistas não são pagos, a Câmara Municipal de Loures oferece as tintas e o alojamento mas com as celebridades que já lá deixaram a sua marca (ex. VHILS, Bordalo II, etc.), muitos são os que anseiam por juntar o seu nome a esta já famosa galeria. Os artistas convivem com os habitantes do bairro e as suas pinturas, normalmente, refletem a sua visão do bairro ou da atualidade; não trazem, regra geral, nenhum ideia para a pintura quando chegam ao bairro. O processo de realização da pintura é rápida, demorando entre 1 dia e meio a 2 dias e as pinturas multiplicam-se e o bairro ganha cor! Uma galeria de arte fantástica e cheia de significados  que causa muito orgulho nos seus moradores. Uma visita que vale muito a pena, embora um pouco longa, 2h30, a pequenada já estava um pouco cansada e impaciente.

O Bairro, os seus habitantes e vivências!

Perguntas dos pequenos

  • no parque infantil “Não dá para ir ao escorrega, está tudo partido. Não dá para andar em nada!”
  • ao circularmos pelo bairro “As portas não têm vidros ou estão todas destruídas porquê?” “Porque há colchões na rua?” “Tantos estendais, na rua, coloridos!”
  • à porta dos prédios “Só há coisas velhas e partidas!”

Um projeto de louvar mas há um longo caminho pela frente, importa mudar a imagem do mundo sobre o bairro e dentro do próprio bairro!

Para percebermos a diferença entre os bairros sociais do Porto, um do nosso guias aconselhou-nos a ouvir a seguinte música

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O encanto da invicta

De guarda chuva em riste, casacos vestido, em pleno mês de agosto,  a pequenada exclama “O Porto é feio … é escuro e molhado! Isto é triste!”. No final do dia, “O Porto é fixe, podemos voltar?”

No top da pequenada, ficou a visita ao World of Discoveries – Museu dos Descobrimentos. Um museu interativo, cheio de touch screen menus, sobre os descobrimentos portugueses: tipos de embarcaçãoes, datas, curiosidades, comércio, personalidades e um viagem de barco passando pelos pontos mais importantes por onde navegámos, não faltando o terrível e assustados Adamastor. Muito apelativo e educativo para os miúdos, que no final perguntaram “Podemos repetir outra vez?”. Uma forma lúdica de aprender o empreendedorismo português em tempos idos. O bilhete é caro mas têm bilhetes de família (apesar de não vir no preçário), ficou cerca de 52€ para os 5, incluindo a visita à exposição temporário das comemorações da conquista de Ceuta.

Adoraram visitar a famosa livraria Lello, onde parece que J.K. Rowling se inspirou para conceber a biblioteca de Hogwarts. Passámos mais de 1 hora na livraria, entre apreciar os livros e a beleza e magia do local. Os voucher/ bilhetes, 3€ por adulto, as crianças não pagam, adquirem-se no Shelter, mesmo em frente à livraria, sendo que o seu valor é descontado, na totalidade, ao efetuar uma compra na livraria. Juntamente com os voucher é fornecido um livrinho com os dados históricos e arquitetónicos mais emblemáticos da livraria, que lemos enquanto esperávamos a nossa vez para poder visitar. Aproveitámos para trocar algumas impressões com o “porteiro” que nos informou que têm cerca de 2000 visitas diárias mas, por vezes, têm 5000 visitantes por dia, especialmente quando os espanhóis “invadem” o Porto, na Páscoa; desde que introduziram os sistemas dos bilhetes pagos, as receitas aumentaram substancialmente, pois todos querem “reaver” os seus 3€, antes as pessoas entravam, admiravam mas saiam de mãos a abanar. Grande medida, incentivando a compra de livros, na esperança que depois ponham em prática essa grande valência do ser humano: saber ler! Vale a pena visitar, um sítio que transpira e respira história, cultura e sabedoria com os fiéis e sempre presentes amigos cá de casa: os livros!

Calcorreámos algumas das mais emblemáticas ruas da invicta e, ao final do dia, fizemos o cruzeiro das 5 pontes, que a pequenada não achou nada de especial! Muito ficou por ver, nomeadamente, o lindíssimo Palácio da Bolsa e sua excelente visita guiada … mas voltaremos em breve e com mais tempo, a pequenada assim o exige!

Mais um dia em cheio … e vários quilómetros percorrido “on foot”!

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Nós nos Passadiços do Paiva

Começámos na Praia do Areinho, e pelos passadiços, seguimos em direção a Espiunca, pois tínhamos lido vários relatos dizendo que era mais fácil fazer o percurso neste sentido devido às subidas e aos desníveis. É de facto a melhor opção para quem decide fazer os 8 km com malta pequena, tem, no início do percurso, uma subida bastante acentuada, desnível de 4oo metros, mas depois é sempre a descer ou a direito (praticamente). São 8 km que se fazem bem e descontraidamente com crianças pequenas, fazendo várias pausas, dando uns mergulhos na Praia do Vau (situa-se + ou – a meio do percurso) e apreciando a vista e a verdadeira obra de engenharia da instalação dos passadiços. Demorámos cerca de 5 horas, com pausa para almoçar e depois na Praia do Vau. A pequenada aguentou-se embora, no último quilómetro, já acusasse algum cansaço! Ao longo do percurso, existem vários telefones SOS, pimpolha mais pequena assim que viu o 1º, como seguia uns metros à nossa frente, não resistiu em carregar naquele grande botão vermelho e lá falei com o senhor que se encontrava de prevenção que atendeu rápida e simpaticamente, ao 2º toque, e sorriu quando lhe pedi desculpas mas a pequena blábláblá … deve ser recorrente, desconfio. Depois da reprimenda, pimpolha mais pequena passou bem longe dos restantes telefones SOS :).
A praia do Vau é muito bonita, tem uma liana para mergulhar para dentro de água, ex-libris para a criançada (ver obviamente), tem uma cascata no seu acesso e situa-se junto à ponte suspensa, outro dos ex-libris (pequenada adorou).
Chegados à Espiunca apanhámos um táxi para regressar ao ponto de partida, numa viagem de 15/20 minuto (13 €), ficámos a saber que a construção dos Passadiços demorou um ano e meio, a ideia foi do Presidente da Câmara de Arouca que é “Engenheiro de obras” e trouxe muita gente para a terra.

Gostámos mas a Serra da Freitas tem muitos outros encantos. Estivemos por lá em agosto, entretanto parte dos passadiços arderam num grande incêndio no final do Verão. Reabrirão certamente em breve, a afluência criada era enorme, não vão deixar fugir a galinha dos ovos de ouro.

Drave: a aldeia mágica!

Drave é um aldeia isolada rodeada pelas serra da Arada, da Freita e de São Macário, não é acessível de carro, não tem água canalizada, eletricidade, gás, saneamento e a rede de telemóvel é praticamente inexistente.

Depois da emoção de alguns quilómetros, num estradão acidentado , decidimos estacionar o carro e, seguir a pé, na dúvida se o nosso carro se aguentaria no regresso, dada a inclinação de algumas subidas. Após uma caminhada de 1 km vislumbramos Drave, no fundo do vale, e o sentimento é “UAUUU … como é possível alguém ter vivido tão isolado uma vida inteira”. Drave foi habitada desde o século XIV e o último habitante, da família Martins da Drave, abandonou a aldeia no ano de 2000.

Os Escuteiros adquiriram algumas casas, palheiros e terrenos na Drave e com o seu trabalho árduo de rehabilitação e manutenção, construíram um Centro Escutista para Caminheiros (Base Nacional da IV) . Foram eles os únicos que encontrámos no caminho e na Drave.

É difícil descrever o que sente ao percorrer as ruas acidentadas da Drave, observando as 2 dezenas de casas que permanecem de pé, rodeadas de montes, isoladas de tudo e de todos. É, claramente, uma local de contemplação e que nos faz questionar por que razão alguém escolheria viver ali, ao mesmo tempo que nos apetece ficar naquele recanto encantador só mais um bocadinho, apesar de já se fazer tarde, o sol estar quase a esconder-se e ainda nos aguardar uma longa e árdua caminhada e a emoção se o carro se aguentará à bronca nas subidas do estradão. Os miúdos correm pela ruelas e exclamam “Não mora aqui mesmo ninguém?!” enquanto as suas risadas e vozes ecoam pelo vale. “Ena pá, se isto fosse tudo nosso?! Era mesmo fixe …!”. Só foi pena a ribeira, que passa na Drave, levar muito pouca água, não podemos desfrutar de mais um bela vista e os seus “rápidos”! Fica para a nossa próxima visita a esta aldeia mágica!

No regresso, o carro aguentou-se, sem hesitações, mas ficou coberto por uma bela e fina camada de pó. Sempre que nos dias seguintes passávamos por um carro em igual estado os miúdos exclamavam “Olha, olha, aquele carro também foi a Drave!”. É assim que nascem as private jokes, esta permanece e utilizamo-la com frequência!